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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro
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Caixa Preta
Novo do Social Distortion a caminho!
Instituição do punk/rock'n'roll americano, o Social Distortion está há nada menos que 8 anos sem lançar material inédito. O último foi o soberbo "White Light, White Heat, White Trash", de 1996.
Desde então, a banda saiu do cast da Sony, lançou um álbum ao vivo pela Time Bomb (selo que editou o primeiro LP "Mommy's Little Monster", em 1983) e passou pela perda de um integrante original - o guitarrista Dennis Dannel, morto em fevereiro de 1999 de aneurisma cerebral. Na época, o líder Mike Ness organizou um show beneficente com bandas como Pennywise, X e Offspring para angariar fundos para a família de seu ex-colega. Depois disso, se confinou em estúdio e gravou dois discos solo praticamente seguidos - o magnífico "Cheating at Solitaire" e a coleção de covers country "Under the Influences" -, ambos pela Time Bomb.
Desde 2000/2001 Ness vem prometendo um novo disco do Social D, mas a coisa começou a se arrastar indefinidamente e o álbum ganhou status de lenda urbana. Vi dois shows da banda em janeiro de 2002 onde Mike dava a entender que o novo CD estava a caminho. Um logo caminho, isso sim.
Em novembro último o Social Distortion finalmente entrou num estúdio de Los Angeles para gravar o álbum ainda sem título. Em 3 de dezembro, o site oficial da banda publicou um update afirmando que a primeira fase das gravações (baixo e bateria) estava concluída.
Em 28 de janeiro, o site de fãs www.sxdx.com soltou uma notinha afirmando que, durante um show "secreto" em Orlando no dia 11/01/04, Mike Ness garantiu que o disco está 3/4 gravado e deve sair, finalmente, em junho!
Há alguns piratas de show circulando por aí onde é possível ouvir parte do novo repertório, como: "Angel's Wings", "Don't Take Me for Granted" (escrita em homenagem a Dennis Dannel), "Footsteps on my Cellar" e "I Wasn't Born to Follow". Em breve mais Social Distortion aqui no Caixa Preta.

-- Ainda não leu (ou está com preguiça de ler) o post de ontem sobre o Fugazi?? Shame on you!
-- Hoje teve mais um ianque detido no Brasil - em Foz do Iguaçú - por deixar o dedo médio em riste na hora de ser identificado pela Federal. Os caras enlouqueceram de vez??
-- "Cidade de Deus" reestréia em mais de 100 cópias nos cinemas. Nova chance de ver o filme nas telonas.
Escrito por Mr Eddy às 11h34
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Melhores Bandas do Mundo - Parte I: Fugazi
O Fugazi é um quarteto de Washington DC formado em 1987 e que virou do avesso o que se convencionou chamar de hardcore. Capitaneada pelo ex-vocalista do Minor Threat Ian MacKaye, a banda não é só um símbolo de independência ou integridade, mais do que isso, o Fugazi vem se reinventando musicalmente há quase 2 décadas.

O que se considera o primeiro álbum do grupo, "13 Songs", é na verdade um combinado dos dois primeiros EPs: "Fugazi" e "Margin Walker", ambos de 1988. Absolutamente à frente do tempo, o disco já trazia elementos que se tornariam marcas registradas da banda: riffs de guitarra complexos, as vozes aparentemente incompatíveis de Guy Picciotto e Ian MacKaye dividindo o repertório e, ocasionalmente, a mesma música, além das tradicionais pausas e mudanças de tempo. "13 Songs" apresenta uma estrutura musical rica e pouco convencional para o gênero. Conceitualmente é hardcore, mas não é rápido ou pesado. Há arranjos de guitarra surpreendentemente "delicados" e timbragem pouco comum para o estilo. A seção rítmica é uma das melhores do rock moderno, trazendo a dinâmica do baixista Joe Lally e a técnica pura, quase jazzística, do batera Brendan Canty. Embora seja o resultado de dois EPs, gravados no intervalo de apenas 6 meses, "13 Songs" é sempre visto ou lembrado como uma obra única e que, em última análise, modificou a percepção de como o punk "deve" soar. É de "13 Songs" uma das músicas mais emblemáticas do repertório fugaziano: "Waiting Room". Movida por um riff hipnótico e refrão poderoso, a música foi tocada pelo Red Hot Chili Peppers (!) em alguns shows durante os anos 90. Outras pérolas vêm em forma de "Give Me the Cure", "Margin Walker", "Lockdown" e a introspectiva "Promises", cuja letra é um quase poema punk sobre como as palavras se organizam e transformam-se em promessas.

No ano seguinte saiu o clássico "Repeater", do qual a versão em CD traz, de bônus, o compacto "3 Songs". Se o termo obra-prima tem algum sentido, provavelmente é para nomear esse álbum. Punk com groove, letras inteligentes e emputecidas, bateria hiperativa e muito mais. Poucos caras conseguem cantar com tanta entrega quanto MacKaye e Picciotto, mesmo que eles não sejam cantores de fato. Ou talvez por isso mesmo. E se você tivesse que explicar para um extraterrestre o que é um bom riff de guitarra, poderia recorrer sem medo a músicas como "Styrofoam", "Merchandise" (talvez a mais adorada canção do Fugazi, um hino anti-consumismo) e também a faixa-título. Mas "Repeater" não é só técnica e fúria; é poesia também. "Blueprint" reflete as dúvidas existenciais de quem já teve tempo para acumular relacionamentos frustrados e desilusões de qualquer espécie. O álbum tem ainda duas instrumentais tiradas do compacto "3 Songs" e que homenageiam a "cozinha" da banda: "Joe #1" e "Brendan #1" (a maravilhosa "Song #1" também fazia parte do EP). Se em seu primeiro disco o Fugazi já mostrava as garras, no segundo provou que era, definitivamente, uma daquelas bandas especiais.
Depois da ira de "Repeater", o Fugazi surpreendentemente gravaria seu disco mais "calmo". "Steady Diet of Nothing" foi considerado na época uma obra difícil. Talvez porque ainda não se imaginava o que eles aprontariam em "Red Medicine" e, especialmente, em "End Hits"...
De qualquer forma, "Steady" não exige tanto do ouvinte como se pode imaginar. É um álbum muito consistente e técnico. Entre ruídos, distorções e dissonância, a banda soa como uma máquina. Não tem o coração pulsante de "Repeater", mas é estranhamente bom.

"In on the Kill Taker" saiu no ano seguinte e é o que muitos consideram o ápice criativo do Fugazi. Da abertura com "Facet Squared" e a poderosíssima "Public Witness Program" ao ranger de dentes de MacKaye em "Returning the Screw", é um dos mais impressionantes inícios de álbum de todos os tempos. Especialmente porque em seguida vem a intensa "Smallpox Champion", sintetizando o melhor do Fugazi."Rend It" traz um atormentado Guy Picciotto (quem não lembra do verso "Why don't you come to my house / Why don't you drag me right out"?) e "25 Beats Off" vai da melodia pura a uma desconstrução sonora à la Sonic Youth. O álbum avança e não pára de surpreender. Amigos, temos nas mãos um clássico! Com um set-list baseado em "In on the Kill Taker" , o Fugazi baixou no Brasil pela primeira vez. Belo Horizonte, 1994. Assisti os caras passando o som numa tarde ensolarada, com MacKaye lendo um livro a cada interrupção; e depois os vi no palco e em transe na frente de milhares de pessoas. Também tive a chance de entrevistar Ian numa sacada de hotel. Sério, bem articulado e difícil de entrevistar. Depois de 2 horas e meia de papo, ele já contava fofocas da cena punk . "Vocês jornalistas gostam disso, né?". O Fugazi também esticou até São Paulo para tocar num Aeoranta lotadaço. Luz branca, sem gelo seco ou outras frescuras. Apenas quatro caras no palco fazendo música. Show emocionante.
Em 1995 sairia "Red Medicine", que alguns consideram o último suspiro do quarteto fantástico. O álbum começa com a incisiva "Do You Like Me" e se seu sangue não esquentar com o rifferama infernal da seguinte ("Bed for Scraping"), provavelmente você está morto. O que possivelmente causou estranheza foram as dissonâncias e os vocais viajantes de músicas como "Fell, Destroyed" e "By You". Mas estranho mesmo é que o público não tenha amadurecido com a banda para entender essas experiências sonoras. Em "Red Medicine", o Fugazi conseguiu seu som mais encorpado em estúdio (e eles gravam desde sempre no mesmo lugar e com o mesmo produtor: "Recorded at Inner Ear. Engineered by Don Zientara"). Entre os destaques, a assustadoramente bela instrumental "Version" e a misteriosa "Long Distance Runner".

Se apenas parte dos fãs tolerou "Red Medicine", a mesma complacência não existiu com o seguinte. "End Hits", de 1997, mostra o Fugazi levando o experimentalismo de "Red" às últimas consequências. É o trabalho que mais exige paciência e atenção do ouvinte. Mas uma vez decodificado, "End Hits" não vai sair do CD player. Mesmo com os silêncios, timbres e climas bem diferentes dos primeiros álbuns, há temas classicamente fugazianos como "Place Position", "Caustic Acrostic" e a irada "Five Corporations". Em outros momentos, MacKaye e Picciotto dão vez para os vocais de Joe Lally (e Brendan também??) com resultados mais melodiosos, como "Recap Modotti". Pouco antes do lançamento de "End Hits", o Fugazi voltou ao Brasil. Fizeram um set complexo numa abarrotada Broadway (São Paulo) e um show bem mais visceral para o público errado, em Santos. Os caras não são "crowd pleasers". Definitivamente.
Quatro anos até que o quarteto voltasse ao estúdio. Em "The Argument" temos, pela primeira vez, participações de outros músicos (no piano, percussão e em discretos backing vocals femininos). Quem previa um "End Hits parte 2" se surpreendeu: "Cashout" e "Full Disclosure" são canções ganchudas, com refrões assobiáveis e, de certa forma, têm mais a ver com "In on the Kill Taker" do que com os dois álbums "experimentais". "Epic Problem" mostra MacKaye irado como ele só, "The Kill" é sombria e a faixa-título, estranhamente bela e emocionante.
Por ter desafiado fórmulas, se reinventado a cada disco e sobrevivido com independência e integridade, o Fugazi é uma das melhores bandas do mundo...
Escrito por Mr Eddy às 20h28
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A Namoradinha da América
Courtney Love suscita amor e ódio na maioria dos fã de indie rock. Tem quem a deteste por causa de seu jeito debochado, dos problemas com os ex-integrantes do Nirvana ou, simplesmente, porque ela é a Courtney Love. Mas há também quem a considere uma cantora/compositora de primeira linha e com supreendente talento dramático (vide suas colaborações com o cineasta Milos Forman em "O Povo Contra Larry Flynt" e "O Mundo de Andy").
Fãs ou detratores deveriam concordar pelo menos em um ponto: a obra musical de Courtney Love é uma casa de força no meio de tantos artistas de plástico. Há quem diga que a arte nasce de mentes e corações atormentados e essa crença se confirma na vida tortuosa da ex-vocalista do Hole. Viciada em drogas desde a mais tenra idade, ex-dançarina de boates de strip tease e viúva precoce de (outro atormentado) astro do rock, Courtney Love tem motivos de sobra para botar raiva, melancolia e muitos outros sentimentos em suas canções. Os discos do Hole são assim, mas, possivelmente, nada será mais pessoal que seu primeiro disco solo - apropriadamente intitulado "America's Sweetheart" - que está na boca do forno.
Desde que sua antiga banda se desmantelou, Courtney esteve envolvida no já citado processo contra os ex-colegas de Kurt Cobain, arrumou atritos com a Universal Music (gravadora que editava o material do Hole) e foi apanhada com substâncias proibidas. Combustível para um álbum incendiário é o que não falta... Uma prévia de "America's Sweetheart" está disponível no site oficial courtneylove.com e já dá mostras que Courtney não perdeu sua veia rockeira ou o talento para compor baladas melancólicas.
Já foi preparado um clipe para "Mono", canção que tem a pegada de "Celebrity Skin" (faixa-título do último disco do Hole, de 1998). As introspectivas "Hold on to Me" e "Uncool" também chamam a atenção. Em tempos de cantoras de rebeldia calculada, será um alívio se a carreira solo de Courtney emplacar. Resta saber se a viúva de Cobain vai ficar longe de encrencas por muito tempo.

Escrito por Mr Eddy às 13h26
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Television, the Drug of the Nation
Cada dia eu vejo menos TV, mas isso ainda não é suficiente para que eu escape de todas as aberrações dos canais abertos. Os programas trash estão em toda a parte e há faixas de horário dedicadas exclusivamente ao jornalismo barato. O fim de tarde é possivelmente o campeão da desgraça, com programas policiais que se multiplicam sob o pretexto de “utilidade pública”, as acéfalas pegadinhas do João Kleber e as fofocas da classe artística por Nelson Rubens. Lixo de montão.
Mesmo driblando essas porcarias e dedicando meu pouco tempo em frente à telinha a canais como GNT, Warner, Nickelodeon e People & Arts, acabo, como qualquer mortal, consumindo parte do excremento televisivo. Um dia desses estava almoçando com a TV ligada e parei na Band. Astrid Fontenelle discutia um VT exibido na noite anterior pelo “Jornal da Noite”. Assunto: um filme pornô estrelado por Alexandre Frota. A dublê de apresentadora destilou todo seu veneno ao lado de uma telespectadora convidada (e que parecia ter sofrido uma lobotomia): “Chamar essas mulheres de atrizes já é demais, né? Atriz é a Malu Mader”. E continuou: “O cara deveria ter mais respeito pelas mulheres que passaram pela vida dele. Que fim de carreira!”. Cheia de recalques, a ex-VJ da MTV misturou as estações, caiu num barato discurso moralista e terminou reclamando que o cara não poderia ter atuado sem preservativo. Bom, que me conste, vídeo e cinema não precisam ter caráter obrigatoriamente educativo. Fosse assim e o hoje governador da Califórnia estaria preso por incitar o assassinato em massa e o uso indiscrimado de armas de fogo.
Tem mais: por quê Frota estaria desrespeitando suas ex-mulheres ao participar de um pornô? O corpo é do cara e deu pra ele quem quis. Ou alguém reclama quando uma global abre as pernas para a Playboy? Não chega a me espantar que alguém com passagens por programas jovens (o extinto “TV Mix” da Gazeta) ou a própria MTV seja tão recalcada e conservadora. Astrid, como comunicadora, é mais uma que segue a cartilha do empregador: se o público alvo é a dona de casa, vamos defender a moral e os bons costumes. Curioso que, na mesma semana, o “Melhor da Tarde” (imagina se fosse o “pior”) abriu espaço para a oportunista Renata Banhara chorar as mágoas de um rompimento com Frank Aguiar, o famigerado “cãozinho dos teclados”. Esse programa eu não vi, mas, segundo uma amiga, a gostosona de plantão reclamou que apanhou do ex-marido, que estava grávida de quatro meses e praticamente não tinha o que comer. Ao invés de nos solidarizarmos com esse drama postiço, vamos à raiz do problema: Banhara é um triste exemplo do vale-tudo que se transformou o pobre show bizz brasileiro. A moçoila cai naquela categoria de gostosa de laboratório e vive das migalhas de “celebridades” e dos convites para programinhas de talk show. Como muitas outras que não são exatamente modelos, cantoras, atrizes ou tão pouco apresentadoras, Renata também usa a barriga para aparecer ou, quem sabe, ascender socialmente. Já que é pra defender os valores familiares, então vamos banir da TV todas as personalidades que tiveram filhos fora do casamento, que partiram para egoístas “produções independentes” ou acabaram na fila dos exames de DNA. Uma emissora de TV, enquanto concessão pública, gasta tempo de satélite para ouvir as mazelas de alguém que fracassou na profissão de celebridade, mas não dá a mesma chance para você pedir emprego em rede nacional. Alguém aí pergunte para a Astrid: o que é mais pornográfico, o filme de Alexandre Frota ou o “drama” de Renata Banhara?
-- Título do post tirado da música "Television", dos Beatnigs.
Escrito por Mr Eddy às 16h42
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